Dislexia: 10 pergunntas e respostas
Pegamos essa entrevista do site Yahoo! para você entender melhor a Dislexia!
Você foi chamada na escola do seu filho porque ele tem problemas com a escrita e faz trocas de letras como v/f, d/t, p/b? Não importa o que você faça (professores particulares, broncas, recuperações), o problema parece persistir? Então talvez essa dificuldade em ler, escrever ou processar informações de um texto que possa ser sinal da dislexia, uma disfunção muito comum e ainda pouco conhecida pelos pais e educadores.
A dislexia acomete, em grau variado, a capacidade de extração de conteúdo pela leitura, e mesmo a síntese de ideias pela escrita. Isso porque os portadores dessa dificuldade não conseguem associar adequadamente os fonemas às letras.
Segundo a Associação Brasileira de Dislexia, o transtorno acomete até 17% da população mundial, podendo manifestar-se em pessoas com inteligência normal (ou mesmo superior) e persistir na vida adulta.
O Dr. Leandro Teles, neurologista formado pela Universidade de São Paulo (USP), explica um pouco melhor esse problema e como ele pode ter determinantes genéticos. “A predisposição à dislexia está provavelmente impressa nos cromossomos. A chance do filho de um disléxico desenvolver a doença gira em torno de 40 % . Vários genes estão sendo estudados como possíveis geradores da disfunção”.
Por isso, antes de voltar para casa da reunião com os professores e brigar com seu filho, é importante lembrar que a dislexia não significa desatenção, falta de motivação, baixa inteligência ou problemas emocionais. Na verdade, ela é um fator que independe das atitudes ou da personalidade do portador.
Entenda um pouco mais sobre a disfunção e tire suas dúvidas:

1. A dislexia é comum?
Ela é o distúrbio muito comum, sendo o principal diagnóstico associado ao baixo rendimento escolar. De modo geral, ela acomete de 5 a 17% da população mundial, e mais meninos que meninas. A doença existe em todos os continentes e sociedades que utilizam a escrita. É uma disfunção que perdura em algum grau por toda a vida, então crianças disléxicas tornam-se adultos disléxicos. É fundamental o diagnóstico precoce e o tratamento direcionado para que a pessoa atinja todo seu potencial escolar e profissional.
2. Quais são os sinais de alerta para a dislexia?
A criança com dislexia tem dificuldade na leitura desde a alfabetização. Além disso, ela tende a trocar letras, cometer inversões silábicas, omissões, etc... para um disléxico, a compreensão é dificultosa e, geralmente, incompleta. A disfunção impregna também a escrita, a forma das letras e eventualmente até a capacidade de elaborar cálculos matemáticos e de fixar a matéria. É importante frisar que deve-se sempre afastar outros problemas que possam estar mimetizando a dislexia, como defeitos na visão, na audição, déficit de atenção e mesmo questões intelectuais ou emocionais.
3. Toda criança que apresenta dificuldade na leitura é disléxica?
Não necessariamente. Mas, certamente, todo disléxico tem dificuldades para leitura, pelo menos em algum grau. Por isso a dislexia é um diagnóstico de exceção: tem que existir clareza de que não há outro distúrbio sensorial ou mental que justifique a dificuldade escolar. Outra questão é a própria inadequação do método de ensino em algumas situações. Por isso, o diagnóstico deve ser cauteloso e realizado com profissionais habilitados para tal.
4. Quais são os sinais precoces da dislexia, ou seja, antes da criança entrar na escola?
Em crianças disléxicas pré-escolares é possível perceber dificuldades no desenvolvimento da fala. A compreensão está geralmente perfeita (assim como a interação e a inteligência), mas os erros e distorções fonêmicas ocorrem com intensidade maior. Se essa dificuldade estiver associada a uma historia familiar positiva para dislexia, o diagnóstico futuro torna-se muito provável. Neste contexto, é possível delimitar crianças “em risco” e desenvolver medidas a partir de 5 , 6 anos de idade.
5. Qual região do cérebro que não funciona adequadamente nesses pacientes?
A dislexia é uma disfunção do hemisfério dominante para a linguagem: na grande maioria das vezes o hemisfério esquerdo. A região responsável pela integração da leitura fica na região mais posterior. Por fora da cabeça, encontramos essa região um pouco atrás e acima da orelha esquerda.
6. Crianças disléxicas são menos inteligentes ?
Não. A dislexia é uma disfunção de determinados pontos da linguagem. A inteligência é um produto cognitivo complexo que engloba muitos outros domínios. De modo geral, o disléxico tem inteligência normal e alguns até acima da media. São crianças criativas, emocionalmente adequadas, com raciocínio rápido e cheias de estratégias para driblar as dificuldades da dislexia. Existem inúmeras personalidades intelectuais, cientistas, professores e inventores com dificuldade de leitura e escrita, sendo que isso não os impediu de dar sua contribuição à toda sociedade.
7. Como diagnosticar a dislexia?
A dislexia não é diagnosticada com exames de sangue e nem com tomografia ou ressonância. O diagnóstico aflora de uma consulta clínica direcionada e com testes de linguagem. Importante reenfatizar que é fundamental excluir dificuldades sensoriais (problemas para enxergar ou ouvir, por exemplo) e mesmo outras doenças cerebrais que possam justificar melhor a dificuldade da utilização da linguagem. É também fundamental diferenciar a dislexia dos transtornos transitórios do aprendizado e mesmo das dificuldades referentes a má aplicação do método escolar.
8. Quais são os profissionais que fazem esse diagnóstico?
O próprio pediatra que acompanha regularmente a criança pode, diante das queixas maternas, iniciar a investigação de dislexia. Em casos complexos é fundamental a participação do neuropediatra e de profissionais da área de fonoaudiologia e psicopedagogia.
9. Como os pais podem ajudar os seus filhos disléxicos?
Os pais devem estar atentos para o desenvolvimento da linguagem e a alfabetização da criança. Caso reconheçam alguma dificuldade, o médico da criança deverá ser imediatamente comunicado. Uma linha de tratamento deverá ser traçada e seguida em busca da otimização do resultado escolar. Da mesma forma que é importante diagnosticar a dislexia, é importante que não haja estigmatização da criança e nem superproteção. A criança deve ser encorajada a superar suas dificuldades e deve receber o mesmo tratamento afetivo e social de qualquer outro colega sem dislexia.
10. Qual o tratamento para os portadores de dislexia?
A dislexia deve ser tratada com intervenções psicopedagógicas e fonoaudiológicas. Nenhum método de reabilitação é totalmente eficaz, e por isso a linha deve ser escolhida caso a caso. A meta não é a cura, uma vez que a dislexia é um distúrbio crônico e persiste, em algum grau, até a idade adulta. Quanto antes for instituída a terapêutica, melhor será o resultado final em termos escolares e profissionais. Dar sempre preferencia aos métodos multisensoriais e com embasamento científico.

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